“Tu vens, tu vens, eu já escuto os teus sinais”
O
tempo do Advento é de preparação da casa para
receber aquele que vai chegar. Como uma noiva que se enfeita, se prepara
para a chegada de seu noivo, seu amado. O Advento (do latim Adventus:
“chegada”, do verbo Advenire: “chegar a”)
nos coloca em sintonia com o futuro próximo. Não podemos
esquecer que em toda ausência já existe uma presença.
Neste período vivemos a ausência que nos coloca em sintonia
com a presença. |
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Portanto,
a chegada já começa com a preparação.
Um
dos títulos fortes aplicados àquele que vai chegar
é Emanuel, que significa “Deus conosco”. Assim
podemos dizer que nos preparamos na presença d’Ele.
Por isso, já existem sinais da sua chegada. Toda essa preparação
está em função do Natal de Jesus.
Importante
perceber que o calendário litúrgico não segue
o calendário civil. Por isso, o Advento dá inicio
ao ano litúrgico. Ele vai até as primeiras vésperas
do Natal e abrange os quatro últimos domingos antes do Natal.
Os dois primeiros domingos refletem a 2a vinda de Cristo, na glória.
Os dois últimos domingos preparam o nascimento do Senhor,
sua 1a vinda, na história humana. Portanto, no dia 30 de
novembro (1º domingo do Advento) é ano novo na Igreja,
segundo o calendário litúrgico.
Vale
a pena resgatar os textos bíblicos que serão usados
no primeiro domingo do Advento (Is 63,16b-17.19; 642b-7/ Sl 79/
1Cor 1, 3-9/ Mc 13, 33- 37). Eis uma pequena reflexão sobre
os textos referidos: essa liturgia introduzirá os celebrantes
numa proposta de conversão, ou seja, que o povo volte a andar
nos caminhos de Deus (1ª leitura) e acordar a sociedade para
as coisas de Deus. Por isso, a palavra que está em evidência
no Evangelho é “vigiai”. Quem vigia está
atento a tudo aquilo que o cerca e tem capacidade para observar
o que o ameaça (Evangelho).
É
um empenho profético exigente que encontra em Paulo um grande
incentivo. Ele nos lembra que a fidelidade divina é uma segurança
para não nos afastarmos dos caminhos de Deus. Deus é
fiel a suas promessas: o Salvador virá; daí a alegre
expectativa, que deve neste tempo ser vivida, pois aquilo que se
espera acontecerá com certeza. Portanto, somos convidados
a “perseverar até o dia de Nosso Senhor Jesus Cristo”
(2ª leitura). Eis um aperitivo para mergulharmos na liturgia
dos outros três domingos. Quem participar das celebrações
e vivenciá-las, no tempo do advento, sentirá como
este tempo pode enriquecer a vida dos cristãos ajudando a
reviver alguns valores, sobretudo a esperança. Que possamos
fazer deste período um kairós (momento certo) para
nos encontrarmos com Deus.
Kairós
é um tempo que não pode ser medido e sim, vivido,
pois se trata do “tempo de Deus”. Que o Advento possa
ser um tempo da alegria antecipada, da espera e da preparação.
Que possa ser o “tempo de Deus” em nossas vidas. E assim
cantaremos juntos nesse tempo fértil: “Tu vens, tu
vens, eu já escuto teus sinais”.
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