| Padre
Ricardo |
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O Espírito que renova a face da terra: unidade na diversidade
Toda
vez que participo da liturgia de Pentecostes uma expressão
ocupa meu pensamento: “unidade na diversidade”. O Espírito
que age em meio à diversidade para se manter a unidade.
Não
há riqueza maior que afirmar que as diferenças podem
nos tornar mais próximos e fraternos.
O
Espírito é “um”, mas se desdobra em diversos
dons para encontrar morada no coração humano.
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Sem me prender aos conceitos, meu objetivo é mostrar a dimensão
missionária dessa festa.
Em
sua vida terrena, o próprio Jesus prometeu que enviaria o
Espírito Santo. A realização plena da Páscoa
acontece com a vinda do Espírito Santo. Assim, 50 dias após
a Ressurreição, Jesus cumpre o que havia prometido.
Agora sim, podemos celebrar Pentecostes. Assim podemos dizer que
a aparição do Espírito em Pentecostes é
a consequência direta, histórica e visível,
na terra, da ressurreição e da exaltação
de Jesus. Não é à toa que a festa de Pentecostes
é celebrada após a “Ascensão do Senhor”.
Não podemos deixar de exaltar essa festa.
Pentecostes
é conhecido como o início da reforma da Igreja. É
uma festa eclesial. Em outras palavras, o Espírito vem para
transformar e reorientar o grupo presente, para que a comunidade
saia do comodismo e assuma uma posição profética
e missionária.
Muitos
tentam interpretar esse evento reforçando a questão
do “falar em línguas”. Importante destacar o
sentido da diversidade de línguas e culturas. O Espírito
é derramado em função de todos os povos e culturas
do mundo.
Lucas
(At 2,1-13) narra um acontecimento que reúne doze povos e
três regiões. Qual é a lógica dessa enumeração?
Apresentar o modelo missionário do Espírito. Lucas
combina critérios culturais, geográficos e sociais.
Daí
podemos tirar uma lição: a missão encontra
sua base no Espírito. Assim, Pentecostes se caracteriza pela
compreensão da mensagem na sua própria língua.
Agora, a mensagem divina ultrapassa as barreiras geográficas
e linguísticas para encontrar lugar no coração
humano. Independente de sua origem, o ser humano pode acolher a
mensagem trazida pelo Espírito Santo. O extraordinário
nesta questão é a acolhida que o ser humano pode apresentar
frente à manifestação divina.
Por
isso, podemos afirmar que Pentecostes é a festa da inculturação
do Evangelho. Aqui se respeita a diversidade. A diversidade não
é algo que causa conflito, mas é um fato que liberta.
É a diversidade que enriquece. A novidade está na
unidade da compreensão do Evangelho, mantendo a diversidade
de línguas e culturas. Em Pentecostes, cada povo conserva
sua língua e sua cultura.
Todas
as vezes em que a Igreja esteve aberta à ação
do Espírito, ela conseguiu ser fiel ao Evangelho e à
sua missão. A abertura ao Espírito requer abertura
ao diferente.
Assim,
o ser humano só tende a enriquecer sua vida quando está
aberto a acolher a ação do Espírito Santo que
age não de forma mágica, mas como algo que transforma
todo aquele que vai em direção ao diferente.
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Pe. Ricardo mSC
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