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Reflexão de um padre jovem
Venho
através deste pequeno texto partilhar um pequeno “balanço”
que faço desse meu primeiro aniversário de ordenação
sacerdotal. No último dia 21, completei um ano que fui ordenado
Padre, em Contagem, cidade onde nasci. Muitos paroquianos da Praça
Seca estiveram presentes na ordenação e podem testemunhar
a profundidade do mistério celebrado.
Daqui
da paróquia partiram três ônibus e algumas pessoas
que foram de carro próprio.
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O
texto traz uma mistura de fatos. Foi brotando naturalmente. Por
isso não tenho a intenção de escrever algo
de forma metódica e sistemática.
Quem foi à missa no dia 21 de junho passado (domingo) deve
se lembrar da
temática da liturgia. Só para refrescar a memória,
retomo aqui um trecho do evangelho. Jesus está na barca com
os discípulos fazendo a travessia do mar quando começa
uma “tempestade”. Os discípulos ficam com medo
e Jesus dorme tranqüilamente na barca. Jesus é acordado
pelos discípulos e põe fim à tempestade (cf.
Mc 4,35-41). Fiquei feliz em meditar esse texto logo no dia que
estava fazendo aniversário de ordenação. Por
isso, tentei extrair uma mensagem para minha vivência pessoal,
a partir desse texto.
Refleti
que o padre deve recorrer a Jesus nos momentos de tempestade, ou
seja, nas crises da vida, nada melhor que recorrer àquele
que nos chamou: “vamos para a outra margem” (Mc 4,35).
E de fato, aquele que nos chama nunca nos deixa “na mão”.
Sem o auxílio de Jesus, o barco do padre corre o risco de
afundar. Nosso povo costuma dizer que o “padre é um
homem de Deus”. Mas ele é um homem de Deus à
medida que ele busca Deus. O maior contra-testemunho que o padre
pode dar é quando ele não busca a intimidade e a confiança
em Deus. “Por que sois tão medrosos? Ainda não
tendes fé?” (Mc 4,40).
Seguir
Jesus é estar disposto a enfrentar as tempestades e nos momentos
de fragilidade confiar que Jesus não deixa o “barco
afundar.” E aí o provérbio se faz verdadeiro:
“depois da tempestade vem a bonança”. Esse parágrafo
foi fruto de uma reflexão pessoal.
Agora
partilho alguns momentos fortes de minha ordenação.
Uma das cenas mais belas foi quando o bispo ungiu minhas mãos
e amarrou-a com uma fita. Minha mãe se aproximou e tirou
a fita. Naquela cena, senti Deus falando através de minha
mãe aquilo que para mim é um apelo: “filho entrega
teu coração.” Antes de qualquer coisa, sinto
que sou convidado a me entregar nas mãos de Deus. Durante
a ordenação o bispo disse algumas palavras carregadas
de sentido e por isso tento não esquecer. Repito essas palavras
constantemente para que elas não se percam com o tempo. Na
homilia ele me convidou a ser um homem da Palavra. Também
reforçou o que ele chamou de “vivência litúrgica”,
ou seja, viver a profundidade do mistério celebrado na eucaristia.
Pediu que, se possível, eu participasse diariamente da celebração
da eucaristia. Junto a isso, fez menção à vivência
da caridade (amor). Mas ainda tem uma frase que ressoa fortemente
em meu coração. Ele me entregou o cálice e
a patena e disse a seguinte frase: “Padre Ricardo, toma consciência
do que fazes e coloca em prática o que vais celebrar, conformando
sua vida com a cruz do Senhor.”
Depois
de um ano como padre missionário do Sagrado Coração,
estou sentindo que aos poucos vou amadurecendo no caminho espiritual.
Com minhas quedas e tropeços sigo em frente progredindo na
fé. Hoje já percebo que amadureci bastante. Sinto-me
renovado. São Paulo me ajudou a chegar a essa conclusão:
“se alguém está em Cristo, é uma criatura
nova.” É assim que me sinto: um homem novo.
Outro
dia refletia sobre uma frase que foi aplicada a Santo Inácio
de Loyola que assumi para mim. “Inácio seguia o Espírito,
não se adiantava a ele. Desse modo, era conduzido com suavidade
para o desconhecido... Pouco a pouco, o caminho se abria e ele o
percorria, sabiamente ignorante, com o coração posto
simplesmente em Cristo.” Como Inácio me coloco como
seguidor do Espírito.
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