|
Alegria por causa da proximidade de Deus
Iniciamos,
mais uma vez, um novo ano litúrgico. O calendário
litúrgico não segue o calendário civil. Portanto,
já é ano novo na Igreja. Cada ano litúrgico
tem início com o Advento. É bom resgatar aqui o significado
da palavra “advento”: “vinda, chegada”.
É o tempo de nos prepararmos para receber uma visita importante.
Quando nos preparamos para receber uma visita desejada, somos tomados
por uma agitação que nos
|
|
| impulsiona a preparar tudo para bem
acolher aquele que chegará. Esse pequeno texto irá
refletir sobre este tempo bonito na ótica dos profetas da
esperança messiânica.
No
primeiro domingo do Advento, o profeta Jeremias (33,14-16) anuncia
o
cumprimento das promessas de bens futuros para a casa de Israel
e para a casa de Judá. Na época do profeta, Jerusalém
era uma cidade em ruínas. Imagina alguém que está
vivendo um mau momento em sua vida e está totalmente desanimado
pelas diversas situações que enfrentou. Uma pessoa
que olha para si e está preste a “entregar os pontos”.
Assim estava Jerusalém. E o profeta lhe anuncia um futuro
melhor. A cidade sofrerá tal
transformação e seu nome será “o Senhor
é nossa justiça”. Jeremias convida
o povo a colocar em Deus suas esperanças, pois, como diz
o povo: ele tarda, mas não falha. “Deus é nossa
justiça”.
No
segundo domingo do Advento, Baruc que também é profeta
messiânico, verifica que, depois do exílio, muitos
judeus ainda continuam vivendo na Diáspora. Ele tenta incentivar
o povo a “esperar” no Senhor. Ele
convida o povo a se converter de forma permanente e a resgatar a
confiança
em Deus, dizendo: “levanta-te, Jerusalém, põe-te
no alto” (cf. Br 5, 5).
Assim
ele diz que Jerusalém receberá de Deus um nome para
sempre: “paz-da-justiça” e “glória-da-piedade”.
É a beleza da salvação que Deus nos traz.
O
terceiro domingo do Advento é o domingo da alegria (gaudete).
A curto
prazo, a perspectiva da vinda se transforma em antecipação
da presença. A
alegria de sentir Deus próximo nos leva a viver de forma
diferente e mais radiante. É como se tivéssemos encontrado
o sentido da nossa existência. Por que ficar alegres? Porque
Deus está próximo. Esse é o anúncio
de Sofonias (3, 14-18): Deus exultará de alegria por ti,
movido por amor.
Miquéias
(5, 1-4a) não coloca Jerusalém no centro da profecia.
Belém é
que se torna grande, porque de lá sairá aquele que
dominará em Israel. Não é a grandeza, segundo
critérios humanos, que é decisiva para Deus. Desse
modo o ultimo domingo do Advento mostra como Deus se manifesta em
nossas vidas. Ele vem sempre na contra-mão para nos encontrar.
Seus critérios são diferentes dos critérios
humanos, mas o ser humano é incluído em seu processo
de presença e atuação.
Logo,
os profetas trazem para nós uma mensagem de esperança
frente ao futuro. Eles reforçam que, em meio aos sofrimentos
humanos, Deus se faz presença. Talvez seja este o tempo de
fazer uma avaliação do nosso ano que termina e traçar
metas para o novo ano que se aproxima. Assim, recorremos a Carlos
Drummond de Andrade para finalizar este texto e nos encher de esperança
como os profetas.
“Quem
teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o
nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança,
fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão
para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí
entra o milagre da renovação e tudo começa
outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar
que daqui para diante, vai ser diferente”. (Carlos Drummond
de Andrade).
|