Padre Ricardo


Alegria por causa da proximidade de Deus

Iniciamos, mais uma vez, um novo ano litúrgico. O calendário litúrgico não segue o calendário civil. Portanto, já é ano novo na Igreja. Cada ano litúrgico tem início com o Advento. É bom resgatar aqui o significado da palavra “advento”: “vinda, chegada”. É o tempo de nos prepararmos para receber uma visita importante.
Quando nos preparamos para receber uma visita desejada, somos tomados por uma agitação que nos

impulsiona a preparar tudo para bem acolher aquele que chegará. Esse pequeno texto irá refletir sobre este tempo bonito na ótica dos profetas da esperança messiânica.
No primeiro domingo do Advento, o profeta Jeremias (33,14-16) anuncia o
cumprimento das promessas de bens futuros para a casa de Israel e para a casa de Judá. Na época do profeta, Jerusalém era uma cidade em ruínas. Imagina alguém que está vivendo um mau momento em sua vida e está totalmente desanimado pelas diversas situações que enfrentou. Uma pessoa que olha para si e está preste a “entregar os pontos”. Assim estava Jerusalém. E o profeta lhe anuncia um futuro melhor. A cidade sofrerá tal
transformação e seu nome será “o Senhor é nossa justiça”. Jeremias convida
o povo a colocar em Deus suas esperanças, pois, como diz o povo: ele tarda, mas não falha. “Deus é nossa justiça”.
No segundo domingo do Advento, Baruc que também é profeta messiânico, verifica que, depois do exílio, muitos judeus ainda continuam vivendo na Diáspora. Ele tenta incentivar o povo a “esperar” no Senhor. Ele
convida o povo a se converter de forma permanente e a resgatar a confiança
em Deus, dizendo: “levanta-te, Jerusalém, põe-te no alto” (cf. Br 5, 5).
Assim ele diz que Jerusalém receberá de Deus um nome para sempre: “paz-da-justiça” e “glória-da-piedade”. É a beleza da salvação que Deus nos traz.
O terceiro domingo do Advento é o domingo da alegria (gaudete). A curto
prazo, a perspectiva da vinda se transforma em antecipação da presença. A
alegria de sentir Deus próximo nos leva a viver de forma diferente e mais radiante. É como se tivéssemos encontrado o sentido da nossa existência. Por que ficar alegres? Porque Deus está próximo. Esse é o anúncio de Sofonias (3, 14-18): Deus exultará de alegria por ti, movido por amor.
Miquéias (5, 1-4a) não coloca Jerusalém no centro da profecia. Belém é
que se torna grande, porque de lá sairá aquele que dominará em Israel. Não é a grandeza, segundo critérios humanos, que é decisiva para Deus. Desse modo o ultimo domingo do Advento mostra como Deus se manifesta em nossas vidas. Ele vem sempre na contra-mão para nos encontrar. Seus critérios são diferentes dos critérios humanos, mas o ser humano é incluído em seu processo de presença e atuação.
Logo, os profetas trazem para nós uma mensagem de esperança frente ao futuro. Eles reforçam que, em meio aos sofrimentos humanos, Deus se faz presença. Talvez seja este o tempo de fazer uma avaliação do nosso ano que termina e traçar metas para o novo ano que se aproxima. Assim, recorremos a Carlos Drummond de Andrade para finalizar este texto e nos encher de esperança como os profetas.
“Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para diante, vai ser diferente”. (Carlos Drummond de Andrade).

 
Pe. Ricardo mSC