|
“É
tempo do meu advento da vida surpresa no meio de nós. Por
isso, conclamo profetas que ao longo da terra ele vem sua voz. É
tempo de um Isaías, que atento aos rumos da vida, indiquem
um caminho novo e a libertação para todo o meu povo”.
Os
dois primeiros domingos refletem a segunda vinda de Cristo, na glória.
Os textos (Is 40,1-5.9-1/ Sl 84/ 2Pd 3,8-14/ Mc 1,1-8) do segundo
domingo nos fazem um apelo: a conversão. O Evangelho de Marcos
vê como início da Boa-nova o apelo à conversão,
lançado por João. Assim também Isaías
conclama o povo para preparar um caminho para Deus, que reconduziria
os cativos. É um convite à mudança. Assim deviam
preparar a volta para Deus convertendo-se. O segundo domingo do
Advento é um forte convite a preparar os caminhos do Senhor
com a finalidade do encontro com Deus. Temos dois motivos para nos
convertermos: a mudança de vida e a construção
de caminhos que conduzam a Deus.
A
liturgia do terceiro domingo do Advento está banhada de alegria.
É o antigo domingo “Gaudete” (alegria). Mas por
que se alegrar, se Ele ainda não chegou? Essa é a
chamada alegria antecipada, pois se aproxima o dia da chegada (Natal).
Todo o cenário celebrativo será marcado por uma alegria
contida. A cor litúrgica será o róseo. As leituras
(Is 61,1-2a. 10- 11/ (Sl)Lc 1, 46-50.53-54 /1Ts 5,16-24 / Jo 1,6-8.19-28)
nos colocam nessa dinâmica. Novamente, no Evangelho, aparece
a figura de João Batista. Mas dessa vez a ênfase está
sobre o testemunho. Essa palavra nos remete à pessoa que
fala daquilo que viveu como experiência pessoal. O testemunho
cristão tem a alegria como seu “carro-chefe”.
A Igreja, nesse dia, celebra a alegria de quem vive na intimidade
de Deus. Em Isaías percebemos essa alegria que se manifesta
na pessoa que foi revestida pela salvação divina.
Em Maria, através do Magnificat, a alegria acontece por tudo
aquilo que Deus fez em sua vida. Assim, a alegria é o termômetro
para medir a qualidade do testemunho.
Com
o quarto domingo, o Advento chega ao auge. Se observarmos as leituras
(2Sm 7,1-5.8b-12.14a.16/ Sl 88/ Rm 16,25-27/ Lc 1,26-38), iremos
constatar que Deus promete e o homem acolhe sua promessa. O Evangelho
traz o pleno cumprimento de todos os sinais que anunciam a vinda
do Salvador. A promessa feita a Davi, de que sua descendência
teria seu trono firmado para sempre, realiza-se no filho de Maria.
O sim de Maria representa a fé da humanidade e a disponibilidade
com que a Igreja quer assumir o Mistério do Natal.
Um
colega partilhou outro dia uma idéia que também comungo:
ele acha o tempo do Advento o mais bonito do ano litúrgico.
Ele indicou um belo texto de Santo Anselmo (século XII),
cujo título é “o desejo de contemplar a face
de Deus”, para aprofundar o sentido do Advento. Finalizo com
um trecho do texto sugerido pelo colega.
“Vamos,
coragem, pobre homem! Foge um pouco de tuas ocupações.
Esconde-te um instante do tumulto de teus pensamentos. Põe
de parte os cuidados que te absorvem e livra-te das preocupações
que te afligem. Dá um pouco de tempo a Deus e repousa nele.
Entra no íntimo de tua alma, afasta tudo de ti, exceto Deus
ou o que possa ajudar-te a procurá-lo; fecha a porta e põe-te
à sua procura. Agora fala, meu coração, abre-te
e diz a Deus: Busco a vossa face; Senhor, é a vossa face
que eu procuro(Sl 26,8). E agora, Senhor meu Deus, ensinai a meu
coração onde e como vos procurar, onde e como vos
encontrar”.
|