Padre Ricardo


Páscoa “Morre e transforma-te!” (Goethe)

Páscoa é maior festa cristã que celebramos, pois assim nos diz São Paulo: “E se Cristo não ressuscitou, a nossa pregação é vazia e também é vazia a fé que vocês têm” (Cor 15,14). Portanto, o ponto de partida da nossa fé é a ressurreição de Cristo (Páscoa). Isso parece óbvio, mas quando verificamos a nossa realidade percebemos algumas práticas contraditórias.
Se a festa da Páscoa é a maior festa dos cristãos católicos, não deveria ela ser a mais participativa do

calendário litúrgico? Olhando as estatísticas, ou seja, o número de pessoas que participam das diversas celebrações, poderemos concluir que até a Sexta-feira da Paixão atrai um maior número de participantes do que a Páscoa. Assim também é o Natal. O nascimento de Cristo é muito festejado, inclusive muitas famílias e amigos se reúnem para celebrar em suas casas. Aqui vale lembrar, provavelmente, se Cristo não tivesse ressuscitado, ele nem seria lembrado pela história.
Por isso, eis o convite: celebrarmos essa festa à sua altura. Por que não resgatar os encontros familiares com a finalidade de celebrar também, em família, o dia da Páscoa? Se a gente faz isso no Natal, porque também não fazer o mesmo na Páscoa? Lembrando que o dado da Ressurreição é o centro de nossa fé.
Ao resgatarmos o sentido da festa da Páscoa iremos perceber como ela nos transforma. Existe um teólogo (Rubem Alves) que faz uma comparação belíssima do milho de pipoca com a morte e ressurreição de Cristo. Assim ele nos diz: “Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre.” Assim acontececom a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo.
Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e dureza assombrosa. Só que elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser”. A ressurreição é essa transformação.
Não é à toa que para fazermos a experiência pascal somos convidados a
nos retirar durante 40 dias. A quaresma é esse tempo propício em que nos predispomos a mudar de vida e nos deixarmos transformar. E no ápice da transformação celebramos a Ressurreição. O que dá sentido à nossa transformação é a Ressurreição de Cristo. Na História da humanidade não há acontecimento maior. E a humanidade ainda reconhece esse grande acontecimento, pois já se passaram mais de 2000 anos e nós ainda celebramos o que é o centro de nossa fé: a ressurreição de Cristo.
Rubem Alves ainda usando a pipoca como instrumento de analogia nos diz: “Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca está representado pela morte e ressurreição de Cristo: a ressurreição é o estouro do milho de pipoca. É preciso deixar de ser de um jeito para ser de outro”. Tal poder de transformação acaba dando sentido à nossa existência, pois podemos bater no peito e dizer: a morte não é o meu fim. “É a lagarta rastejante e feia que surge do casulo como borboleta voante”. Que possamos passar por esse fogo para nos transformarmos.
Que possamos celebrar a Páscoa com os devidos merecimentos dessa festa. E que essa festa nos ensine a ser mais humanos, pois através de nossa humanização nos aproximamos mais de Deus.
Feliz Páscoa!

 
Pe. Ricardo mSC