| tica até a luta por melhores
condições de vida para as comunidades indígenas,
ribeirinhas, camponesas e quilombolas, sobretudo, o cuidado com
a biodiversidade do planeta.
Há
exatamente 30 anos, aconteceu uma grande reunião dos Bispos
da América Latina, chamada de Conferência de Medellín,
na Colômbia. Um dos pontos que a Conferência de Medellín
refletiu foi a respeito de uma nova maneira de se viver e de se
organizar como Igreja, ou seja, as Comunidades Eclesiais de Base,
as chamadas CEBs.
Mas
afinal, o que são realmente as CEBs? Podemos dizer que a
primeira característica de uma CEB é a vida de comunidade.
É a fé vivida no relacionamento das pessoas que participam
de uma comunidade. Essa vivência cria um compromisso uns com
os outros de ajuda mútua, de união e comunhão.
Já não são pessoas que mal se conhecem, mas
pessoas que mantêm laços fortes de amizade e companheirismo.
Esses laços criam um interesse pela vida do outro, não
para tomar conta da vida alheia, mas para estar presente na vida
uns dos outros como presença de amizade, solidariedade e
fraternidade.
As
CEBs procuram manter uma ligação forte com a Palavra
de Deus. Aliás, é Ela que dá alimento e sustento
para se viver esse “novo jeito de ser Igreja”.
A
Palavra de Deus proclamada, ouvida, celebrada e vivida, ilumina
a vida, os problemas, a realidade. Assim se percebe como viver e
agir a partir de Deus, de Sua Palavra, sem fugir da realidade da
vida. A vivência da fé, nas CEBs, proporciona aos cristãos
a experiência de uma fé comprometida com a vida.
É
a palavra de Deus que “empurra” os cristãos para
o compromisso de transformação da vida pessoal e social.
A celebração da Palavra e da Eucaristia deve ser o
ponto alto das CEBs. É lá na celebração
que elas renovam sua fé, seus compromissos de solidariedade
com os outros e reforçam sua amizade com Deus.
As
CEBs são novas expressões de se viver como Igreja.
Porém, para que isso aconteça e não se perca
essa dimensão de ser Igreja, as CEBs devem estar ligadas
às suas paróquias e dioceses, enfim, estar em íntima
comunhão com a Igreja de modo geral. . As CEBS são
comunidades de base porque são formadas pela base da Igreja,
que são os leigos. A base é que sustenta a construção
de uma casa. Assim, as CEBs se tornam constante fonte de inspiração
para toda a Igreja.
Os
leigos, mergulhados na vida, nas situações concretas
da vida, fazem a experiência de Deus neste dia a dia. E porque
são comunidades eclesiais, onde os leigos atuam mais concretamente,
as CEBs devem se tornar mais autônomas; não independentes,
mas “caminhar com suas próprias pernas”. Cristãos
que assumem sua caminhada de fé com responsabilidades. São
autônomas enquanto não ficam esperando que tudo venha
dos padres ou de outros leigos de fora da comunidade.
São
autônomas porque assumem a comunidade como parte de suas vidas
e não como um prédio, aonde se vai de vez em quando
ou somente para “cumprir preceito”. Nisto está
a grande diferença de SER IGREJA e ir à igreja.
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