Padre Átila

CEBs: Um novo jeito de ser Igreja


No mês de julho passado aconteceu entre os dias 21 e 25 o 12º Encontro
Intereclesial das CEBs, em Porto Velho, capital de Roraima. O tema desse grande encontro foi: “CEBs, Ecologia e Missão” e o seu lema: “Do ventre da terra, o grito que vem da Amazônia”. Representantes de CEBs de todo o país, da América Latina e do Caribe refletiram temas atuais e que envolvam desde a consciência polí-

tica até a luta por melhores condições de vida para as comunidades indígenas, ribeirinhas, camponesas e quilombolas, sobretudo, o cuidado com a biodiversidade do planeta.
Há exatamente 30 anos, aconteceu uma grande reunião dos Bispos da América Latina, chamada de Conferência de Medellín, na Colômbia. Um dos pontos que a Conferência de Medellín refletiu foi a respeito de uma nova maneira de se viver e de se organizar como Igreja, ou seja, as Comunidades Eclesiais de Base, as chamadas CEBs.
Mas afinal, o que são realmente as CEBs? Podemos dizer que a primeira característica de uma CEB é a vida de comunidade. É a fé vivida no relacionamento das pessoas que participam de uma comunidade. Essa vivência cria um compromisso uns com os outros de ajuda mútua, de união e comunhão. Já não são pessoas que mal se conhecem, mas pessoas que mantêm laços fortes de amizade e companheirismo. Esses laços criam um interesse pela vida do outro, não para tomar conta da vida alheia, mas para estar presente na vida uns dos outros como presença de amizade, solidariedade e fraternidade.
As CEBs procuram manter uma ligação forte com a Palavra de Deus. Aliás, é Ela que dá alimento e sustento para se viver esse “novo jeito de ser Igreja”.
A Palavra de Deus proclamada, ouvida, celebrada e vivida, ilumina a vida, os problemas, a realidade. Assim se percebe como viver e agir a partir de Deus, de Sua Palavra, sem fugir da realidade da vida. A vivência da fé, nas CEBs, proporciona aos cristãos a experiência de uma fé comprometida com a vida.
É a palavra de Deus que “empurra” os cristãos para o compromisso de transformação da vida pessoal e social. A celebração da Palavra e da Eucaristia deve ser o ponto alto das CEBs. É lá na celebração que elas renovam sua fé, seus compromissos de solidariedade com os outros e reforçam sua amizade com Deus.
As CEBs são novas expressões de se viver como Igreja. Porém, para que isso aconteça e não se perca essa dimensão de ser Igreja, as CEBs devem estar ligadas às suas paróquias e dioceses, enfim, estar em íntima comunhão com a Igreja de modo geral. . As CEBS são comunidades de base porque são formadas pela base da Igreja, que são os leigos. A base é que sustenta a construção de uma casa. Assim, as CEBs se tornam constante fonte de inspiração para toda a Igreja.
Os leigos, mergulhados na vida, nas situações concretas da vida, fazem a experiência de Deus neste dia a dia. E porque são comunidades eclesiais, onde os leigos atuam mais concretamente, as CEBs devem se tornar mais autônomas; não independentes, mas “caminhar com suas próprias pernas”. Cristãos que assumem sua caminhada de fé com responsabilidades. São autônomas enquanto não ficam esperando que tudo venha dos padres ou de outros leigos de fora da comunidade.
São autônomas porque assumem a comunidade como parte de suas vidas e não como um prédio, aonde se vai de vez em quando ou somente para “cumprir preceito”. Nisto está a grande diferença de SER IGREJA e ir à igreja.

 
Pe. Átila mSC