
Sua
dieta era composta de insetos e de mel. A pele era seca, maltratada
pelo sol e poeira. Usava cabelos revoltos e barba longa. Deu as
costas para a civilização e estava preparado para
morrer. Mas esse estranho homem do deserto sonhava como os outros
humanos. Só que seu sonho era tão grande que lhe roubava
a tranquilidade. Ele era ousado, falava aos gritos. Ele criticava
os erros e injustiças, a hipocrisia religiosa.

Os
fariseus, famosos pelo seu moralismo e por serem conhecedores da
lei de Deus, ficaram abalados com o discurso de João. Quando
todos valorizavam e o colocavam nas nuvens, ficaram paralisados
com suas palavras. O homem dos sonhos de João apareceu e
ninguém notou. Mas de repente, os olhares se cruzaram. João
ficou petrificado, pois sabia que era Ele: Jesus de Nazaré!
Os olhos de João lacrimejaram de esperança. Sim! Não
apenas os miseráveis precisavam de esperança. As pessoas
que não entendiam o que estavam acontecendo, só sabiam
que o rosto de João se transformara. O olhar de Jesus foi
penetrante e mudou o discurso de João.

Deixou
de comentar aos miseráveis as misérias, as hipocrisias,
o apego à fama, a estupidez do poder, as futilidades e arrogâncias.

A
mansidão de Jesus contagiou João, pois ele percebeu
que o homem de quem não era digno de desatar as suas sandálias
era um cordeiro tranquilo, morreria por ele e pelo mundo.

Jesus ainda não tinha aberto a sua boca. Ninguém imaginava
que ele faria propostas que abalariam o mundo. Os judeus queriam
sinais, atos miraculosos. Mas Jesus queria esculpir neles a arte
de pensar, da tolerância, da solidariedade, do perdão,
da capacidade de se colocar nos lugar dos outros, do amor, da tranquilidade.

A
psicologia e as ciências da educação se fossem
mais profundas e conhecessem Jesus, se dobrariam aos pés
do Mestre dos Mestres!