A Bíblia




MARIA E ISABEL (Lc 1,39-45)

Naqueles dias, levantou-se Maria e caminhou sem demora a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel.
Maria veio trazer a boa-nova a Isabel. A criança se lhe mexeu no ventre como outrora Esaú e Jacó no ventre de Rebeca (Gen 25,22), dando ensejo a uma profecia a respeito dos meninos. O mesmo aconteceu agora. Isabel saúda o Salvador presente já no ventre de sua jovem parente, digna de toda a gratulação.
Cheia do Espirito Santo, Isabel inaugura o culto mariano homenageando em Maria a Mãe do Salvador, a Mãe de Deus.


CÂNTICO DE MARIA (Lc 1,46-55)


Maria viu seu segredo revelado por Deus a Isabel; que alívio! O próprio Deus se incumbiu disso; então não haverá problema diante de seu noivo e demais parentes de Nazaré; eles acreditarão nela e na mão de Deus. Eis um dos motivos ao Cântico. O outro é, evidentemente, a alegria sobre a eleição. O Magnifícat, do ponto de vista literário, é uma adaptação a Maria do Cântico de Sara, mãe de Samuel (1Sm 1,2).
Esta mulher infeliz sofreu com o problema da esterilidade (1Sm 1,11) e fora provocada e humilhada por Fenema, sua rival (1Sm 1,6-7). Além disso, o Cântico de Ana fora composto tendo em vista o rei Davi, escolhido como menino entre seus irmãos prepotentes, e libertado dos seus inimigos, a começar por Golias.


MARIA E JOSÉ (Mt 1, 18-25)


Aconteceu o que devia acontecer e o que Maria receava intimamente:
a opinião pública em face de sua gravidez. Quem acreditaria na história do anjo? Manifesta-se, aqui, a sua grandeza de alma: Maria não se precipitou com explicações inverossímeis. Que Deus intervenha no momento oportuno.! Demorando-se três meses em Ain Karim, de volta a Nazaré era inevitável que aparecessem os primeiros indícios de gravidez.
José não podia pensar mal da sua noiva.; por outro lado, porém, ele não achava explicação razoável, e a sua noiva não falava nada. Então resolveu desmanchar o noivado e tirar o corpo fora. Nestas condições, Deus devia intervir. Temos, portanto, uma nítida anunciação feita a José. Ele devia casar com Maria. Ela não podia ser uma mãe solteira e nem Jesus um filho espúrio. Diante da Lei e do público, José deveria ser o pai da criança. Sendo pai, ele deveria impor o nome que aqui recebe sua etimologia: JESUS significa SALVADOR.
José não demorou em casar com Maria e garantir-lhe a reputação. Jesus, de fato, nasceu sem intervenção de José: é isso que o Evangelista pretende constatar, e não eventuais filhos que poderiam ter nascido depois de Jesus.


O NASCIMENTO DE JESUS (Lc 2, 1-7)


Por disposição da Providência divina e do imperador Augusto., Jesus nasceu em Belém. Numa gruta ou num estábulo, porque no albergue público não se achava um lugar apropriado e quente para Maria dar à luz. A manjedoura indica um estábulo ou uma gruta que servia de abrigo aos animais.


MARIA E OS PASTORES (Lc 2,16-19)

Chegando à gruta ao primeiro alvor do dia - hora de se fazer visita naquelas paragens - os pastores justificaram a sua vinda contando o que lhes havia sucedido durante a noite. O relatório foi recebido com sincera admiração. O Evangelista destaca Maria que se embebia com os fatos narrados; desde a Anunciação pelo Anjo, ela recebe agora mais material para profundas meditações.


PURIFICAÇÃO DE MARIA (Lc 2,22-24)


Maria e José cumpriram duas leis ao mesmo tempo: resgatar o filho primogênito (Ex 13,2-12- 15) e oferecer o sacrifício pela purificação da mãe, quarenta dias depois do parto. A palavra “purificação” é um termo legalista e, de modo algum, conota a idéia de uma impureza moral, como se o parto tivesse sido uma imoralidade abominável. Nada impedia que Maria obedecesse às disposições legais.

A PROFECIA DE SIMEÃO (Lc 2,25-35)

Para o povo e o velho Simeão, Maria e José eram os pais da criança. Ainda durante a vida pública e alguns anos depois, Jesus era o “filho de José” (Jo 1,45; Mt 13,55), nascido da “semente de Davi” (Rm 1,3). Voltemos para Simeão: Terminadas as palavras dirigidas aos pais, Simeão passa a falar com Maria que viveria o tempo suficiente para presenciar o cumprimento da profecia inserida nesta altura. A história mostra como Jesus foi aceito com entusiasmo e rejeitado com ódio, Ele dividiu os contemporâneos em dois campos opostos ( Jo 3,19); sabe duma KRISIS de conseqüências fatais: “Quem nele crê não é condenado; quem não crê já está condenado”. A divisão é simbolizada pela espada. Sendo mãe, Maria ficaria envolvida pessoalmente nos transes das divisões engendradas pela missão do Filho. As hostilidades a atingirão no seu íntimo, chegando ao auge no Calvário. Em todas as fases do conflito e, principalmente, no Calvário, os pensamentos dos amigos e inimigos estarão manifestos, como nunca antes e depois.

MARIA AO NATURAL (Lc 2,41-51)

Os episódios da peregrinação a Jerusalém, nos mostram uma ocasião em que Maria aparece como gente, sem poesia e sem teologia; o retrato mais humano que possuímos da Mãe de Jesus. Se hoje em dia sabemos tanta coisa sobre a infância do Salvador, o devemos à sua mãe, que guardava tudo e o transmitia a outros, como testemunha única e fiel dos eventos. Com os “outros” é que Lucas teve contato, conforme transparece no prólogo do seu Evangelho. Maria e os magos (Mt 2,11)
O Evangelho de Mateus destaca a pessoa de Maria, concedendo a José um papel secundário embora importante e decisivo: pai do Menino e parceiro matrimonial de Maria. Os magos, por isso, encontram o Menino em companhia da mãe. O menino estava sobre os cuidados normais da mãe. Eis outra cena em que Maria aparece com naturalidade em seu papel de mãe humana.

A FUGA (Mt 2,13-15)

A responsabilidade e o encargo de cuidar pela segurança da família coube ao chefe, que era José. Mas, nas entrelinhas, lemos o sofrimento e a resignação de Maria, submetida às agruras e fadigas da fuga precipitada, a preocupação pela criança. Logo depois, já no Egito, acrescia o problema da moradia e do emprego que ela carregava junto com o marido. Quantas vezes não fora posta à prova a sua fé em Deus e no Menino! Ela não foi poupada das tribulações comuns dos homens: “Submeteste-nos ao jugo dos homens, passamos pelo fogo e pela água, mas por fim nos destes alívio” (SI 66,12). “São numerosas as tribulações dos justos, mas de todas elas os livra o Senhor” (SI 34,20).

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