A Bíblia



PESSOAS OU TIPOS PESSOAIS

Jesus foi prefigurado e antecipado nos profetas, reis e sacerdotes do Antigo Testamento. Maria, igualmente, por várias figuras de mulheres, distintas por seu valor pessoal e heroísmo, por sua missão, por seus sofrimentos.

1- EVA (Gen 2,18)

O Senhor Deus disse: Não é bom que o homem esteja só, vou dar-lhe uma auxiliar que lhe seja adequada. Na obra redentora Deus não quis abstrair-se de uma colaboradora: daí a eleição de Maria como mãe do Redentor.


2- AGAR (Gen 16,7-11)

O Anjo do Senhor encontrando-a no deserto, disse-lhe: ... Volta para a tua senhora e humilha-te diante dela. E ajuntou: Multiplicarei a tua posteridade de tal forma que não se poderá contar. Eis que estás grávida e darás à luz um filho e dar-lhe-ás o nome de Ismael.
Agar era mãe dum filho importante de Abraão; ela não pôde fugir à sua condição de escrava.
Quanto a Maria, ela é mãe dum filho muito mais importante e não precisava que alguém lhe lembrasse a obrigação de obedecer como escrava do Senhor”.


3. MÍRIAM OU MARIA (Num 26,59)


Jocabed deu a Aarão três filhos: Aarão, Moisés e Maria, a primeira portadora deste nome na Bíblia. Maria aparece pela primeira vez, quando seu irmãozinho Moisés foi exposto entre juncos do Nilo e descoberto pela princesa egípcia (Ex 2, 1-10). Depois da passagem pelo Mar dos Juncos, Maria /Miriam é intitulada “profetiza” ao cantar louvores ao Deus e Salvador (Ex 15,20-21).
Do mesmo modo, cheia do Espírito Santo, Maria entoou o Magnificat em louvor a Deus e predizendo a redenção do gênero humano e sua própria exaltação (Lc 1,46-55).


4. DÉBORA, A JUÍZA (Jz 4,4-5)


Em tempos difíceis, Débora exercia o cargo de juíza na terra de Efraim, ao norte de Jerusalém.
Quando o exército de Sísara invadiu a planície de Jezrael, ela convocou um tal Barac, encarregando-o, em nome de Javé, de enfrentar o invasor.
Depois da vitória sobre Sísara, Débora entoou o célebre cântico conservado em Jz 5.
Quantas vezes, durante as guerras contra os infiéis, Maria foi invocada para conceder a vitória! A ocasião mais conhecida é a batalha naval de Lepanto (7/10/1571), onde os espanhóis e venezianos destroçaram a frota turca.


5. JAEL (Jz 4,9)


A glória da batalha não será tua, porque o Senhor entregará Sísara
nas mãos de uma mulher.
A mulher em questão é Jael, esposa do quenita Heber, em cuja casa Sísara tinha procurado refúgio. Enquanto ele dormia, ela o matou (v 21). Por isso, no Cântico já mencionado, Jael recebe o seguinte elogio: “Bendita seja entre as mulheres, Jael, mulher de Heber.
Entre as mulheres da tenda seja bendita!”... Com uma das mãos segurou o prego, e com a outra o martelo de operário, e malhou Sísara, espedaçando-lhe a cabeça (Jz 5,24 e 26).
Quem não se lembra das palavras que Isabel dirigiria a Maria séculos depois?


6. A FILHA DE JEFTÉ (Jz 11,36)


Meu pai, se fizeste um voto ao Senhor, trata-me segundo prometeste, agora que o Senhor te vingou de teus inimigos.
O voto precipitado do pai foi homologado pela filha como sendo vontade do Senhor. Morrendo virgem e sem filhos, a filha chora a sua vida frustrada sem ter experimentado a ventura da maternidade.
Maria não teve motivo para lamentar. A sua vida não se extinguiria sem ter produzido um fruto: “Bendito o fruto do teu ventre!” (Lc 1,42).


7. ESTER (Est 4 e 5)


A rainha Ester arriscou a sua vida para interceder por seu povo
ameaçado de extinção. Como Maria, ela “achou graça” na presença
do rei.
Ester é figura de Maria, intercessora junto ao trono de Deus ou Juiz do Universo, conforme Miguelangelo a representa aos pés do Cristo, no seu Último Juízo, na Capela Sixtina.


8. JUDITE (Jt 8,8)


Era mui estimada de todos porque tinha grande temor de Deus;
não havia ninguém que falasse mal a seu respeito.
A viúva temente a Deus é respeitada por todos; a sua beleza física refletia a formosura moral de sua alma. Confiando em Deus, e fortalecida pela sua oração, ela decepou a cabeça de Holofernes, inimigo feroz de seu povo (13,7-10).
Do mesmo modo, Maria ficou preservada de toda a mancha de pecado por uma graça especialíssima de Deus, tratando-se da redenção definitiva dos homens.


9. A RAINHA-MÃE DOS REIS DE JERUSALÉM


Devido à poligamia dos reis, só uma das muitas esposas podia ter a alegria de ver seu filho no trono de Davi.
Esta é a RAINHA-MÃE, que ocupava um lugar especial, de honra, e não deixava de ser mencionada expressamente.
Maria também é assim homenageada na Ladainha de Nossa Senhora. Maria possui todos os títulos no seu grau mais elevado: um ANJO, por causa da vida pura e unida a Deus; uma PATRIARCA como ancestral imediato do Messias; uma PROFETISA que anunciava a vinda do Salvador; uma APÓSTOLA que levava a Boa-Nova a Isabel; uma MÁRTIR como HEROINA da fé; uma VIRGEM consagrada a Deus e seu serviço; e uma SANTA acima de todos os santos.


EVANGELHO DA ANUNCIAÇÃO (Lc 1,26-38)


Este Evangelho constitui o fundamento e a fonte da Mariologia (Teologia
sobre Maria) e do culto prestado a ela; mostra também que não existe Mariologia sem Cristologia, da qual faz parte integrante.
A Encarnação não dependia do consentimento de Maria. Deus não costuma consultar; o anjo veio avisar a escolhida acerca da sua eleição e Maria não se opôs como certos profetas que recuaram apavorados diante da incumbência. O anjo se retira e deixa Maria marcada para o resto de sua vida. Agora Maria sabia o que Deus queria dela: Ser a Mãe do Salvador.

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